Ô derrota....
Nenhum comentario nisso aqui... será que a idéia nao deu certo? Os textos estão ruins? Ou apenas a quantidade ainda eh pequena?
To olhando o contador ali embaixo... nesse mês de existência do Blog, nao eh possivel que apenas eu e a louize ficamos acessando, ne? entao, vc, que esta aí olhando pra nos, fale, opine, nos de sua força, para sabermos se da pra continuar com isso aqui :D
Bjus a todos
Escrito por João às 21h09
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Ahn.. er... calmaí, deixa eu ver se entendí, um garotinho de mais ou menos 11 anos, autografando uma Playboy (revista proibida a menores de 18, pelo conteudo erótico explícito), em um evento publico, diante da imprensa e da opinião (func.. func... que cheiro ruim...) pública????
É a cultura do "bom machinho" se mostrando mais uma vez? Nao tem problema, ele é apenas precoce??? Certo, quero ver se esse mesmo menino estivesse numa tarde de autógrafos da G magazine......
Detalhe pra cara do mulek olhando o decote da cidadã...
Escrito por João às 21h49
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Incrivel... ver algum sinal de respeito, de tolerância, NESSE país, é realmente emocionante...
Obvio que nao se pode se contentar com pouco. É um passo muito pequeno...
...mas é um passo...
Escrito por João às 18h16
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O Cinema!!
Era feriado jurídico em Brasilia, e nossa querida Louize, que eh proletária desse poder publico, gozava seu empolgante dia livre:
- Ô tédio do @#$%¨&!!
Enquanto isso, eu me deliciava com a programação cuidadosamente elaborada da televisão aberta brasileira:
- Zzzzzzzzzzzzz
Enfim, um dia típico. Até que essas duas mentes unidas pelo tédio, têm a mesma idéia!
E lá fomos nós, cruzando o cerrado Roriztíco da capital até o cinema mais próximo. Chegando ao estacionamento do Park-Shopping, percebo que a vaga de deficiente físicos, que devia ser maior que as outras, pelo óbvio motivo de que uma cadeira de rodas precisa ficar ao lado do carro, era na verdade menor que todas as outras do shopping.
- @#$¨&*@!!!!!!!!!!!
- Calma Louíze... vai ver eles se basearam num deficiente Oompa Loompa...
(eu sou tão Polyanna :P)
Pela lei orgânica do DF, deficientes não precisam enfrentar filas, podem ir direto à boca do caixa. Pela força das caras das outras pessoas na fila, desejei que a boca do caixa se abrisse pra gente se enfiar la dentro!!! (mesmo tendo que sair pelos cantos sombrios do caixa depois). Saindo ilesos do bombardeio de maus-olhados (apesar de que dei umas três tropicadas, e sentí meu apêndice inflamando. Acho que vou me benzer) conseguimos chegar à sala aonde seria exibido “A fantástica fábrica de chocolate”. Como era de se esperar, o acesso bonito, bem cuidado, iluminado e glamouroso era uma escada de mármore (ok, ok, imitação barata) e corrimãos dourados. O acesso para deficientes era um elevador feio e enferrujado no cantinho de tudo. Ao apertar o botão de “sobe” senti minha dor no apêndice passar pro calcanhar. O troço tava tão desregulado, tão mal-cuidado que seus cabos rangiam, fazendo um barulho assustador dentro da cabine.
- Louize, acho que esse elevador é um pouco velho...
- ...santificadosejavossonomevenhanosvossoreinosejafeitasuavontadesimnaterracomo...
Chegamos vitoriosos à sala. Adentramos o recinto com o orgulho de quem sai de um picadeiro de leões romanos (perdendo apenas um apêndice) e fomos escolher um lugar. Epa, eu disse escolher? Ah, desculpem... na verdade, não há escolha, logo depois da porta há uma escadaria para o acesso à outras fileiras de cadeiras. Nós tivemos que ficar lá atrás, perto da porta e bem abaixo do ar condicionado.
- Quer sentar aonde? (gente, eu sou uma pessoa retórica :p)
- ...brrrrrrrr.... brrrrr.... e-e-e-u-u te-te-te-nho e-e-escolha? ....brrrrrrrr... brrrrr
(de fato, o lugar pra deficientes era BEM abaixo do ar condicionado) (que coisa, tremendo de frio ela não consegue me xingar :p)
Uma coisa que esses admnistradores não pensaram, eh que nem todas as pessoas enxergam tão bem a ponto de poder sentar nas fileiras do fundo. Tanto que Louize, que eh míope, até agora acha que Willy Wonka foi interpretado pelo Michael Jackson.
- Olha lá!! Ele passou a mão na bunda do menino gordo!! Eu vi!!!
Findo o filme, foi hora de sentir meu apêndice na nuca. E de Louize encerrar uma novena em tempo recorde.
Ao nosso redor, pessoas, felizes saindo da sessão, passeando pelo shopping, voltando para suas casas. Ao nos olhar, apenas a cara de assustado de sempre. Ninguém imagina no desconforto que nós, que pagamos como todos os outros, temos que passar para (tentar) ter alguma diversão nesse moderno mundo que fundiu uma camera fotográfica e um telefone, mas não consegue usar rampas ao invés de escadas, nem respeito ao invés de intolerância.
Escrito por João às 12h20
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Apresentações!
Bem, após nosso debut, precisamos nos apresentar, né :P
Essa daí é a Louíze, amiga velha de guerra (7 anos que a conheço). Junto comigo, ela passa as situações constrangedoras que colocamos nesse blog :P
E esse aqui sou eu , o cara corcunda e gordo, que junto com a Louize chama a atenção por onde passa :D
Nosso objetivo com esse blog, é mostrar as dificuldades que as pessoas diferentes têm em conviver com os "normais", e mostrar com um toque de comédia que é possível ser feliz, manter a alegria mesmo quando todos nos olham com uma cara meio "desgotosa" e quando estamos fora dos padrões que as pessoas gostam de ver por aí. Alegria, sempre, esse é o nosso lema, e ser o que somos ao invés do que querem que sejamos, é a mensagem que queremos transmitir aqui.
Bjuuus, e até a próxima ^^
Escrito por João às 18h41
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Caminhando contra o vento:
Episódio 1 – Curso para concursos
O folder entregue na rua parecia atraente “14 anos de tradição” e “ 100% de aprovação no concurso de procurador” “qualidade em ensino” (esse último é clichê). Convenceu. O telefonema então parecia ainda mais qualificante para o local: - Instituto tal, boa tarde - Sim, eu gostaria de fazer um curso para o TJDF, estou em dúvida entre vocês e o curso tal. - Ah sim, o curso tal... olha, nosso curso é melhor pois temos o professor Fulano, que ganhou um prêmio em Curitiba, e junto com o professor Ciclano e Deltrano foram premiados a melhor equipe de ensino de Brasília. Nossas instalações são modernas, o material é de excelente qualidade e aprovamos muito mais que o curso tal. - Certo, posso ir agora para efetuar o pagamento? - Com certeza!! Estaremos esperando atenciosamente sua visita. Ótimo atendimento! A mocinha sabia vender o peixe, devia ganhar um aumento. Dirigindo-nos ao local do curso, já começamos a ter dificuldades no estacionamento, entre pedras e madeiras, tornando quase impossível nosso trânsito. - Ai, bem que meu carro podia ser off-road - Pois bem que minha cadeira podia ser um Aircraft do exército russo pra passar por aqui. Após ralar os fundilhos na pista de obstáculos do prédio em reforma (moderno eh sinônimo de “em construção”??) chegamos à portaria do referido prédio. Procurei mecanicamente pelo botão reluzente, aquele que dá a dignidade para que alguém suba ao andar de cima. Não achei. O porteiro (com um terno amassado e cabelo terrivelmente escovado) se dirigiu a nós. - Pois não? (porque diabos quando alguém não nos quer por perto, já vem descendo um ‘Pois não’ ? podia mandar um “bom dia” pelo menos) - é... bem.,.. onde fica o elevador? - Não tem (disse isso secamente, com a cara fechada de quem é obrigado a passar o dia todo vestido de manequim de funerária) Nisso, Louíze entra em cena. - Cadê o elevador? - Não tem (não imitei ironicamente o porteiro, juro) - Em que posso te ajudar? – O porteiro disse com uma cara medonha, de quem após o almoço já sacou que vai ter que carregar alguém nos braços por 3 andares, mas faz de tudo pra disfarçar (o pior é que ele olhava a cadeira de rodas como se fosse o carro da família buscapé) - Escuta, eu to afim de fazer o curso que fica no terceiro andar! É aqui mesmo, João? O panfleto dizia “Instalações modernas” - Bem, o interruptor é bonitinho, ó. (eu tenho uma tara por interruptores de luz) Pegamos o telefone e ligamos para a atendente do curso, que ao reconhecer a voz de Louíze, ficou feliz por ela ter se interessado pelo curso. Mas não tão feliz ao saber que teria que descer 3 andares para falar com ela. - Boa tarde... ah, puxa, vc não avisou que usava cadeira de rodas... - Sim, mas o panfleto também não dizia que o curso era proibido para deficientes! (Sim, Louíze é uma faca afiada) - Mas você não consegue subir de nenhuma maneira? Não tem jeito? - Ah moça, subir escadas apenas com minha cadeira que tem rodas quadradas... essa daqui não sobe não - E você tem como buscar essa outra cadeira? ( nossa tentativa frustrada de conter nossos risos diante de tão patética pergunta, fez a mocinha se tocar que tinha falado algo estúpido) - Olha, eu não sei o que dizer... - Mas que coisa, no telefone você me disse tantas coisas!! Que eram os melhores e mais modernos de Brasília, muito melhores que o curso tal, e agora você não tem nada para me dizer??? - Na verdade, eu tenho, mas é segredo... (a mocinha se abaixa e sussurra algo no ouvido de Louize) Muito emputecida das idéias, Louize me pediu para que a retirasse do lugar, que fôssemos embora. Ao chegar no carro, perguntei o que a mocinha havia lhe dito que a deixou tão revoltada. - Quer saber mesmo?? Ela me disse “Não conta pra ninguém, mas o curso tal é muito melhor que o nosso! E tem elevador!! Vai lá!!”
Escrito por João às 21h46
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